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Muitas companhias aéreas não revelam o grande segredo dos bilhetes baratos

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As suculentas ofertas que lançam as empresas aéreas despistam os viajantes

Se voou por quinze ou vinte euros, parabéns, acaba de entrar no clube dos mais afortunados. Comprar um bilhete a esses preços devia ser uma odisseia ou o melhor dos golpes de sorte. Porque é que é tão complicado?

As companhias aéreas guardam dois trunfos na manga quando lançam as suas suculentas ofertas. Número um: esse bilhete que oferecem Madrid - Milão a 20 euros acabará por custar 50 ou 60 euros porque, quando se dispuser a fazer a reserva definitiva verificará que nem as taxas aeroportuárias, a despesa de emissão, o suplemento de combustível nem o IVA, estavam incluídos no preço final. Por isso, voar a zero euros ou a 99 cêntimos, como alguma vez tenham promovido, em especial as companhias aéreas de baixo custo, é impossível.

Número dois: talvez só existam dois ou três bilhetes a 20 euros para um avião de 200 lugares. Ou seja, os que servirem para justificar a existência dessa oferta anunciada com pompa e circunstância pela televisão, rádio ou imprensa escrita. Assim o deu a entender a semana passada Arnaldo Muñoz, director geral da Easy Jet para o Sul da Europa, quando foi inquirido sobre a percentagem média de bilhetes a preço "ganga" que lançam as empresas aéreas. Não deu valores. Limitou-se a dizer que esse era "o grande segredo das companhias aéreas".

Para muitas pessoas esta situação é frustrante. Por exemplo, na passada sexta-feira, a página web da Ibéria noticiava uma venda que oferecia vários destinos a preços irrisórios: península desde cinco euros, Baleares a 19 euros ou Lisboa a 10, entre outros. No entanto, não dizia como aceder a essas ofertas e no final, quando se optava por procurar através da ferramenta habitual, voar para a capital lusa acabava por custar 99 euros.

Este é só um exemplo do porquê de "muitas pessoas se sentirem estafadas", segundo afirma o porta-voz da Federação de Consumidores na Acção (Facua), Rubén Sánchez, que assinala que se trata de uma publicidade enganosa contra a qual se queixam há vários anos. Para Miguel Gallo, sócio director da Daemon Quest, não se trata de publicidade enganosa, mas de "marketing de conquista", de captação do cliente, que realizam as empresas que têm de se posicionar frente à concorrência.

A página Web da Ibéria oferece tarifas a baixos preços para Espanha e Europa, mas não diz o que fazer para lhes aceder 

Falta ver o que disse a Comissão Europeia, que estuda a implementação de um regulamento que regule este tipo de publicidade. De momento, a Ibéria disse a semana passada que a partir de agora o preço dos bilhetes que se publicitem serão finais, ou seja, incluíram os distintos conceitos que antes ofereciam em separado. Que fará a Clickair?

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