1ª publicação em marketing e estratégia de clientes
Antes de começar uma viagem por estrada, tratamos de planificar a rota a todos os níveis: para onde nos dirigimos, qual é o melhor caminho para chegar, qual é o horário mais apropriado, que inconvenientes podemos encontrar e como devemos superá-los, o que devemos levar connosco... Não ocorre a ninguém pôr-se a caminho sem saber pelo menos para onde vai. No entanto, no plano comercial, esta situação paradoxal acontece com mais frequência do que poderia imaginar.
Ao projectar a comercialização de um produto ou de um serviço, qualquer empresa está consciente de que necessita de utilizar um canal de vendas, quer seja próprio, indirecto ou misto. O que nem todos fazem, apesar de permitir disparar as possibilidades de êxito, é realizar uma planificação estratégica de todo o processo.
Vamos necessitar de uma rede comercial, evidentemente, mas qual é a dimensão apropriada da mesma? Que frequência de visitas deverão aplicar os comerciais de acordo com a sua carteira de clientes? De que maneira poderemos avaliar a nossa equipa: atendendo ao potencial da zona ou às vendas que os comerciais realizem?
Existe toda uma série de interrogações prévias que condicionam, em boa medida, o que vai suceder depois, e cuja compreensão, análises e resposta nos permitirá abordar, com maior segurança, o mercado ao qual nos dirigimos. A intuição pode ser um instrumento muito útil em determinados contextos e nas mãos de profissionais experientes, mas nem sempre se baseia em critérios lógicos nem fiáveis. O importante, num ambiente complexo e em constante alteração como aquele em que nos encontramos, é planificar todos os aspectos da força de vendas para evitar que a sorte decida por nós.
A planificação, por outro lado, vai muito mais longe do "antes". Um dos erros mais frequentes por parte das empresas é o de tratar um novo cliente como um cliente para toda a vida. Nada mais longe da realidade. As circunstâncias do mercado, a acção da concorrência ou a qualidade do serviço pós-venda recebido influenciam notavelmente a fuga de clientes, o que se conhece como "rate de desistência " ou “churn rate”. Apesar deste número ser algo comum em todas as empresas, um dos objectivos que deve marcar a organização é reduzi-lo ao mínimo e, sobretudo, evitar que aqueles que nos abandonem sejam os consumidores mais rentáveis.
Por muito que se queira argumentar o contrário, nem todos os clientes são iguais. As necessidades de uns e outros variam, pelo que não há porque satisfazer os seus pedidos da mesma maneira e utilizando recursos idênticos.
Os nossos meios são limitados, por isso, na medida em que sejamos capazes de os distribuir e atribuir da maneira mais correcta, tentaremos aumentar o rendimento das nossas acções, sem com isso prejudicar nem o serviço nem a qualidade prestada aos utilizadores.
Além do targeting e da distribuição de canais e recursos, será determinante dimensionar de forma adequada o tamanho da nossa força comercial, assim como saber distribui-la no terreno. Em demasiadas ocasiões movemos as nossas fichas em terrenos nos quais as oportunidades são escassas, ou deixamos a descoberto zonas críticas que a nossa concorrência pode aproveitar em seu benefício.
Gerir de forma adequada a força de vendas é algo que vai mais longe do que a intuição. É questão de dois factores chave: qualidade no trabalho e quantidade do mesmo. Relativamente à qualidade, a resposta são as técnicas de Inteligência de Vendas. No que diz respeito à quantidade, a formação e a motivação das redes comerciais são um elemento crucial sem os quais nenhuma estratégia de vendas pode funcionar com êxito.
Return to The Marketing Intelligence Review, Nº2 Setembro 2004 Estratégias de Segmentação